Há lembranças da infância que permanecem vivas por muitos anos. O cheiro de um bolo saindo do forno, uma história contada antes de dormir, uma caminhada de mãos dadas ou uma tarde brincando no quintal.
Em muitas famílias, esses momentos têm um elemento em comum: a presença dos avós.
Cada família constrói sua própria história, e nem todas as crianças têm a oportunidade de crescer convivendo com os avós. Quando presente na vida da criança, essa convivência pode representar uma importante fonte de acolhimento, aprendizado e conexão entre diferentes gerações.
O valor dos vínculos
Nos primeiros anos de vida, as crianças constroem suas primeiras relações de confiança com as pessoas que cuidam delas. Pais e cuidadores principais ocupam um papel central nesse processo, mas outros adultos presentes na rotina também podem contribuir para ampliar essa rede de afeto.
Os avós podem oferecer muito mais do que cuidado. Compartilham tempo, histórias, experiências e tradições que ajudam a fortalecer o sentimento de pertencimento da criança à sua própria família.
O que a ciência nos mostra?
Pesquisas sobre relações intergeracionais indicam que uma convivência positiva entre avós e netos está associada a benefícios para o bem-estar emocional e para a qualidade das relações familiares.
Estudos publicados na revista científica The Gerontologist sugerem que crianças que mantêm vínculos próximos com os avós tendem a perceber maior apoio emocional e desenvolver um sentimento mais forte de pertencimento familiar. Os pesquisadores destacam que o mais importante não é a frequência dos encontros, mas a qualidade da relação construída entre eles.
Além disso, compartilhar histórias de família, costumes e lembranças ajuda a criança a compreender melhor suas origens e a construir sua identidade ao longo do desenvolvimento.
Uma troca que beneficia diferentes gerações
Esse vínculo também pode ser valioso para os avós.
A literatura científica também aponta que participar da vida dos netos pode estar associado a uma maior sensação de propósito, satisfação com a vida e bem-estar emocional durante o envelhecimento. Brincadeiras, conversas, passeios e momentos simples criam oportunidades de convivência que fortalecem os laços familiares para ambos os lados.
Os pequenos momentos costumam ser os mais importantes
A infância não é construída apenas pelos grandes acontecimentos. Muitas das lembranças mais significativas nascem de gestos cotidianos: preparar uma receita juntos, cuidar de uma planta, montar um quebra-cabeça ou ouvir uma história repetida pela décima vez.
São experiências simples que ajudam a construir memórias afetivas capazes de atravessar gerações.
Mais do que ensinar, os avós muitas vezes mostram, pelo exemplo, que o tempo compartilhado, a escuta e o carinho também fazem parte do crescimento de uma criança.
Quando esse vínculo é cultivado com respeito, presença e afeto, ele se transforma em um presente para toda a família — daqueles que permanecem vivos na memória, muito depois que a infância se transforma em lembrança.
Revista Natu Bebê
Um olhar mais leve sobre a infância.
Referências científicas
- Bowlby, J. A Secure Base: Parent-Child Attachment and Healthy Human Development. 1988.
- Sadruddin, A. F. A., Inhorn, M. C., & Chiong, W. (2019). Grandparenting in the 21st Century: Issues of Diversity in Grandparent–Grandchild Relationships. The Gerontologist.
- Fivush, R., Duke, M. P., & Lazarus, A. (2010). The stories that families tell: Narrative coherence, intergenerational connections and children's well-being.
